Capítulo 3 3. OLIVER

O dia no orfanato hoje foi cansativo, mas eu amo crianças, então tudo vale a pena, essas crianças tem tanto amor para dar, eu não sei como as pessoas não veem isso.

Eu chego na casa da vovó e vejo que ela está com visitas, uma senhora e três crianças. Eu me aproximo da cozinha e o cheiro gostoso de bolo de fubá me atrai.

-Boa Tarde vovó. - Eu falo me aproximando e dando um beijo na testa dela.

-Oi meu filho, que bom que chegou. - ela fala e me abraça. - Filho essa é a Lúcia. - Ela fala apontando para a senhora sentada na cadeira a sua frente e eu me aproximei e a cumprimentei. - E esses são os seus netos Marco, Fred e o Enzo. - Os três estão sentados no banco atrás da avó. Eu me aproximo deles.

-Oi, eu sou Oliver. - Eu falo e estiquei a mão para cumprimentar o mais velho, que olha para a minha mão e depois para mim e apenas assente com a cabeça.

-Cumprimenta o moço Marco. - A avó chama atenção do neto. E o pequeno respondeu um "oi" baixo.

Eu faço o mesmo com o menino que está sentado no meio, ele me cumprimenta e pega na minha mão e quando eu chego no menor ele já abre os braços para que eu o pegue, e eu faço exatamente isso. Pego ele no colo, e o pequeno me abraça se aconchegando no meu pescoço. E eu beijo os cabelos dele. Eu já estou acostumado com isso, as crianças fazem muito isso no orfanato. Mas, o que me trás para a realidade são todos me encarando boquiabertos.

-Está tudo bem? - Eu pergunto.

-Sim querido, é que o Enzo não vai no colo de ninguém, a não ser o meu ou da mãe dele. - Dona Lúcia fala e eu dou um sorriso e olho para o pequeno.

-Quer dizer que somos amigos então? - Eu pergunto diretamente olhando nos olhos dele.

-Sim. - Ele fala e me abraça de novo.

O interfone toca, e eu coloco o pequeno no banco e vou até a sala atender a porta. Quando me aparece uma mulher baixinha, com cabelos ondulados castanho, os olhos com uma expressão de cansaço, pequenas olheiras, mas nada que estrague a harmonia do rosto lindo da moça. Ela é linda, eu observo que ela também está me analisando, assim como eu fiz com ela, e dou um sorriso de lado, quando seus olhos chegam nos meus eu percebo que ela fica envergonhada.

-Bo... boa Tarde, a Magda está? - Ela pergunta.

-Entre, eu irei chamá-la. - Eu falo e vou até a cozinha. - Vovó tem uma moça chamando a senhora. - Eu falo.

-Vou até lá. -Minha avó fala indo para sala.

-Dona Lúcia a senhora se importa de esperar minha avó sozinha, eu realmente preciso de um banho. - Eu falo e a senhora sorri.

-Claro que não meu filho, eu já sou de casa, fica tranquilo. - Ela sorri e eu dou um sorriso também.

Eu entro no meu quartinho, que é na edícula no fundo da casa da minha avó. Eu tomo um bom banho, meu amigo Mark me liga nós conversamos um pouco, ele me conta que eu vou ter que ir para Seattle assinar os papéis do divórcio em breve, fala sobre a empresa do meu pai que vai de mal a pior, quando eu olho no relógio, vejo que já está quase na hora do jantar, eu desligo a chamada e vou para a casa principal.

Esse mês está fraco de movimento, então a minha avó não está com hóspedes no momento então somos só eu e ela na mesa. Nós conversamos animados, eu conto a ela sobre o divórcio e sobre a empresa do papai.

-Filho, você ainda tem interesse em um emprego remunerado? - Ela pergunta.

-Sim vovó. - Eu falo dando uma garfada no macarrão maravilhoso que ela fez.

-A Sra. Andrade, mãe das crianças que você conheceu hoje, está precisando de babá. - Ela diz.

-Eu, babá? - Eu falo rindo.

-Você gosta de crianças meu filho e depois que uma babá tentou molestar o filho mais velho dela, o Marco, ela está com medo de colocar outra babá feminina para cuidar dos meninos. - Minha avó fala e eu fico tenso, como uma pessoa é capaz de fazer isso com uma criança, meu Deus.

-Olha vovó, eu tenho ficado bastante no orfanato, eu posso tentar ficar com os filhos dela sim. - Eu falo.

-Então esteja pronto amanhã às 06:30 que eu vou te levar na casa dela. Eu marquei com ela às 07h mas é sempre bom chegar antes do que atrasado. - Minha avó fala com um sorriso enorme.

-Tudo bem vovó. - Eu falo, e percebo que a minha avó fica séria.

-Só que... você vai ter que ter cuidado, aquelas crianças já sofreram demais. Assim como a Sra Andrade também, o marido dela faleceu, ela tinha só 24 anos e o menino Enzo tinha acabado de nascer, foi um período bem difícil para ela e para as crianças. - Minha avó me advertiu.

-Tudo bem vovó, eu darei o meu melhor. - Eu falo confiante.

Por isso eu consegui ver a tristeza no olhar daquelas crianças, elas não tem pai, deve ser difícil para uma mulher sozinha criar três filhos. E coitado do pequeno Marco, tão novo e já passou por uma situação dessas. Depois do jantar eu lavo os pratos e vou me deitar, para acordar cedo no dia seguinte.

Eu deito e pensando na vida dessas crianças, eu adormeço rápido, acordo bem cedo, faço minhas higienes, tomei um banho, coloquei uma camisa branca, uma calça jeans preta e um sapatênis. Às 06:30 eu já estou na sala esperando a vovó. Nós entramos no carro dela e ela dirige até a casa da família Andrade.

Chegamos e falta dez minutos para as 07h, eu sou recebido pela senhora Lúcia e as crianças, que me cumprimentam e sai para levar as crianças para a escola. Eu fico sentado na sala esperando. E depois de alguns minutos a empregada vem até mim e pede para que eu a acompanhe até o escritório. Que a Sra. Andrade já está me esperando. Ela bate na porta e a voz de dentro diz para entrar.

-Sra. Andrade, o Sr. Oliveira. - A mulher me olha e eu vejo que é a mesma mulher de ontem, eu abro um sorriso e estico minha mão.

-Prazer, Oliver Oliveira. - Eu falo.

-O prazer é meu, Rebecca Andrade. - Ela pega na minha mão, e no nosso breve contato eu sinto um choque percorrer pelo meu corpo, e percebo que ela também sentiu, já que retirou a mão rapidamente.

-Então Oliver, você trouxe um currículo? - Ela pergunta me encarando com aqueles olhos âmbar.

-Sim. - Eu falo e entrego a pasta para ela. - Aqui está. - Ela pega e folheia.

-Bom, você tem uma boa formação, porque quer o cargo de babá? - Ela pergunta e mordisca o lábio inferior, para ela foi uma coisa natural, mas para mim foi muito se'xy. Eu evito olhar, não quero que ela pense que eu tenho segundas intenções com esse emprego.

-Eu trabalhei por muitos anos na minha área na empresa do meu pai, atualmente eu busco por coisas novas. - Eu falo, e pego ela observando meus lábios. Quando eu paro de falar ela se encosta na cadeira, e me observa com os olhos semicerrados.

-Sr. Oliveira, eu vou ser bem sincera... - Ela fala e respira fundo. - Você é bonito e tem um bom porte, pode ser modelo, ou qualquer outra coisa que quiser. Porque babá? - Ela fala.

-Não foi minha escolha inicial, mas eu preciso do dinheiro, e não gosto de expor minha vida para as câmeras. Eu gosto de crianças, e gostei dos seus filhos. Eu trabalho no orfanato desde de que cheguei aqui praticamente e faço por que gosto das crianças. - Eu falo convicto. Enquanto ela observa cada movimento meu.

-Então vamos aos termos específicos do contrato. Você vai ter que morar aqui na minha casa, pois às 06h nós saímos para São Paulo todos os dias. Algumas semanas nós iremos ficar no apartamento em São Paulo, eu gosto de ficar lá, por causa das crianças elas podem acordar um pouco mais tarde, já que a escola e os cursos elas fazem, são tudo na capital. Na sexta a partir das 18h você está liberado até segunda às 06h da manhã. Mas pode ocorrer de eu ter que comparecer a algum evento no fim de semana, e você terá que me acompanhar para cuidar das crianças e nas viagens também, com a expansão da nossa empresa, eu estou viajando bastante. Mas eu pago extra se você tiver que viajar ou trabalhar no fim de semana. - Ela faz uma pausa.

-Por mim tudo bem, a minha avó não se importa e com os hóspedes ela quase nunca está sozinha, então isso não vai ser um problema. - Eu falo e ela me entrega alguns papéis.

-Aí está o contrato de trabalho, com o seu salário e todas as regras que eu te falei e mais algumas. E as folhas adicionais são os cronogramas de atividades dos meninos, com os horários das atividades. - Eu li atentamente o contrato e depois assinei.

-Me desculpe por ser indelicado, mas a minha avó me falou sobre o falecimento do seu esposo... - Ela me interrompe com um gesto com as mãos, eu percebo seu olhar ficar triste.

-Meu filho mais velho é quem mais sente a falta do pai, ele tinha apenas 4 anos quando meu marido faleceu, o Fred, sabe que tem um pai que virou uma estrelinha, mas não se lembra de quase nada. E o Enzo nem chegou a conhecer o pai. Ele nasceu no dia em que meu marido faleceu. Então sim eles tem alguns complexos, principalmente quando tem dia dos pais na escola, ou quando alguma criança fala dos pais para eles. - Ela fala olhando para um ponto distante.

-Desculpa eu não queria... - Ela me interrompe novamente.

-Está tudo bem, não se preocupe. - Ela fala e dá um sorriso fraco. - Bom, tudo resolvido. Você tem a disponibilidade de começar amanhã? - Ela pergunta me encarando.

-Sim, claro. - Eu respondo rápido.

-Então meu motorista vai passar para te buscar as 20h. - Ela fala sorrindo.

-Combinado, até breve Sra. Andrade. - Eu falo me levantando.

-Até. - Ela responde.

Ela também se levanta, pega a bolsa e me leva até a saída, eu saio e estou a caminho do ponto de ônibus que por sorte não é tão longe. Quando eu chego para a Land Rover vermelha para ao meu lado.

-Vamos, eu te deixo na sua avó, é caminho. - Eu olho e vejo a Sra. Andrade com um belo sorriso. Ela é linda, mas sorrindo ela vai para outro nível.

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